Internet DJ
Por Hugo Siqueira em 30.08.2008 : : 3h22Sexta-feira para sábado. 01:47. Estou na época das insônias. Seleciono músicas para gravar um set. Começo esse texto. Eu e uma carteira de Marlboro. Que resolvi, mais uma vez abandonar. Ainda este ano. Ontem foi dia de combate ao fumo. Mas não hoje. Uma praga, o cigarro.
Voltando à minha madrugada de sexta. Nada acontece na cidade no fds? Imagina!!! No mesmo instante que escrevo, o caminhão Mercedes da Alemanha está com o som no volume máximo. Em pleno Complexo Cultural da República. O DF está bombando. Festas para todos os gostos, bolsos, gênero, sexo, raça, credo, década… Nesse domingo, ainda é preciso fôlego para o Brasília Open Air. Passando antes no 2º Clichê. Quem me dera conseguir acompanhar essa mini maratona. Já passou, diria um amigo meu. Apesar da vontade, só de pensar num emendado de festas desse eu fico tonto. Raramente saio de casa. Por motivos, principalmente alheios à minha vontade. Mas como assim, perguntam-me, um DJ que não sai de casa?
Manhã de sábado. Acordo disposto. Não muito cedo, claro. O dia, lindo. Não importa se chove ou faz sol. Tomo um café da manhã reforçado. Às dez da manhã, pontualmente, para não ter reclamação da vizinhança, saio da cozinha, sento-me na sala, de frente para minhas surradas CDJ 500 II. Clico o play no Soundforge (programa de gravação de áudio) e começo meu set. Ninguém dançando. Só eu, balançando ao ritmo do bpm. E algum vizinho apreciador de house, espero. O set vocês vão ouvir depois, aqui no podcast.
A geométrica progressão nos avanços tecnológicos não mudou só a vida de designers, analistas de sistemas, pesquisadores, escritores etc. Tem permitido que djs não dependam necessariamente de um contato com a pista. Qualquer um pode ser dj, gritou o Electrorock. Qualquer um pode mixar, gritaram os fabricantes de software e hardware. Claro que nada supera o estímulo de uma pista. Nem o prazer de fazer uma virada difícil… Mas se você juntar uma grana (compra tudo usado – um par de cdjs, um mixer), liga no som da sala, passando pelo seu computador… pronto. Acabou essa história de que “ninguém me chama para tocar”. E se não ta disposto a “materialidades”, instala só os softwares e manda ver.
O set vai para internet. Tem sempre onde hospedar de graça. Você manda um e-mail pros amigos. Um spamzinho via Orkut… São as maravilhas proporcionadas pelo mundo moderno. A festa é onde você está. Não precisa sair de casa. Por exemplo: a DJ Dani Ferreira, que quebra tudo, sempre, ao vivo e a cores, acabou com o braço quebrado. Recorrendo à excelente terapia que é a música, gravou, em casa, o sensacional set “Quebrando Ossos” (lado A e B!), que você ouve e baixa imediatamente pro seu iPod. No mesmo tuntistun, você ouve e faz o download do terceiro EP da Crunch Music, label candango. Eliezer Amnésia mais uma vez carimba minha carteirinha de fã.
Viram como, sem sair de casa, também é possível dançar, malhar, trabalhar e até dormir de babar ao som de seu DJ favorito? Manter-se atualizado musicalmente. E, pior para os DJs, mas melhor para a nação, ficar mais exigente quanto à qualidade da mixagem. Porque sambar “ao vivo”, ou seja, desencontrar as batidas na mixagem, se não for abuso (se não sabe nada, espera a música acabar…), é coisa que acontece nas melhores famílias. Mas quem percebe isso, em geral, não é muita gente. E também, ninguém aprende a andar sem levar uns tombos. Mas num set gravado, que se espera, seja ouvido diversas vezes, cada sambadinha transforma-se num samba-enredo. Seja você o dj ou a pista de dança, bem vindo ao home-club! Se jogue!



adorei o post e o novo set/
bjs